Por: Bianca Valente Strecht
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Você sabia que a malária afeta aproximadamente
300 milhões de pessoas e mata 1 milhão a cada ano, sendo esta taxa comparável
aos índices de mortalidade causados pela AIDS? E que de acordo com as
estimativas da OMS de 2015 já ocorreram 214 milhões de casos de malária e 438
mil mortes? Sendo que a principal região afetada pela doença é a população da
África Subsaariana, onde em 2015 ocorreram 89% dos novos casos de malária e 91%
das mortes causadas pela doença.
Devido ao alto impacto sobre a saúde da
população da zona Equatorial, principalmente da África Subsaariana, nas décadas
de 1960 a 1970 houve uma grande operação internacional com o intuito de
erradicar a malária. Neste período foi intensamente utilizado a cloroquina,
medicamento antimalárico, para combater o protozoário responsável pela doença. A
operação, contudo, fracassou devido à distribuição desenfreada do medicamento,
o que resultou no surgimento de Plasmodium resistentes a essa droga, principalmente
o P. falciparum, gerando grande necessidade de desenvolvimento de novos
antimaláricos.
A descoberta do agente ativo Artemisa annua,
a Artemisina, trouxe grande avanço no combate contra a malária, uma vez que Qinghaosu,
nome chinês da Artemisina, é mais eficaz que os outros métodos antimaláricos
para diversos tipos de malária, com ação rápida e segura, além de ser fatal
para o parasita, uma vez que atua sobre a atividade mitocondrial, responsável
pela síntese de energia.
Este princípio ativo, substância que tem ação no
organismo, foi descoberto em 1971, com base em análise científica de natureza
antimalárica, descoberta através do estudo sobre métodos da medicina chinesa
tradicional feito pela pesquisadora Tu YouYou, ganhadora do prêmio Nobel de
Fisiologia e Medicina e responsável pela pesquisa. Ele foi isolado através de
um método de extração em temperaturas baixas e com isso foi produzido capsulas
contendo artemisina pura que, ao ser utilizado por humanos, apresentou alta
eficácia no tratamento de pessoas com malária.
Durante a avaliação dos compostos da artemisina,
foi descoberto que um deles era mais estável e muito mais efetivo que a própria
artemisina, a diidroartemisina. Com seu uso diminuíram as chances de
recorrência da doença, assim como o controle da febre, que é o principal
sintoma desta doença, empregando uma baixa concentração do composto, cerca de 360
mg, enquanto de artemisina seria cerca de 1.500 mg.
Por fim, sua distribuição é feita na forma de
comprimido e supositório (conveniente para crianças ou pacientes em coma ou vômitos),
ampliando o espectro de pacientes que poderão usufruir deste método contra a
malária.
Para complementar a leitura busque:
Tu Y.Y. THE DEVELOPMENT
OF THE ANTIMALARIAL DRUGS WITH NEW TYPE OF CHEMICAL STRUCTURE - QINGHAOSU AND
DIHYDROQINGHAOSU http://www.tm.mahidol.ac.th/seameo/2004_35_2/02-3334.pdf
Tu Y.Y.THE DISCOVERY OF
ARTEMISININ (QINGHAOSU) AND GIFTS FROM CHINESE MEDICINE
http://www.nature.com/focus/Lasker/2011/pdf/Lasker2011-Tu.pdf












