domingo, 15 de novembro de 2015

Minha avó já me dizia: o stress vai te envelhecer...


Por: Giovanni De Martella Martins Fontes

Quem nunca ouviu por aí cardiologistas (ou mesmo pai, mãe ou... avó) dizendo que o stress é prejudicial à saúde? Quem nunca viu uma pessoa submetida a um stress contínuo se assemelhar, devido ao cansaço, a um zumbi vagando por ai? Muitos estudos indicam uma relação entre stress crônico e indícios de má saúde, incluindo doenças cardiovasculares e um sistema imunitário debilitado. Mas será que todos os que possuem conhecimento disso sabem que o stress também está relacionado com o envelhecimento precoce? Neste artigo é mostrado que o stress psicológico está diretamente associado à menor atividade da telomerase – enzima que relacionada à construção de telômeros (complexos proteicos de DNA localizados nas extremidades dos cromossomos) – e ao encurtamento dos mesmos, que são determinantes na longevidade das células, ou seja, determinam relativamente o “tempo de vida” da célula.
Imagem de cromossomo. Telômeros destacados na cor verde. Imagem retirada de http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/10/23/hiperatividade-pode-influenciar-tamanho-dos-telomeros/

            Muitas pesquisas recentes apontam para o papel fundamental dos telômeros e da telomerase em relação a doenças e envelhecimento celular. Quando as células se dividem o telômero não é totalmente replicado, levando ao seu encurtamento a cada divisão celular. Sendo assim, os telômeros são como biomarcadores da “idade” da célula, pois são um indício do quanto mais poderá se dividir. O ambiente em que a célula se encontra pode também regular o comprimento dos telômeros, assim como a atividade da telomerase. Em ambientes com um demarcado stress oxidativo, há uma tendência grande de ocorrer o encurtamento, ao passo que a presença de antioxidantes pode atrasar esse processo. Sendo assim, os pesquisadores desse estudo imaginam que o stress psicológico crônico poderia levar a um encurtamento dos telômeros, a uma reduzida capacidade de ação da telomerase e a um stress oxidativo em células sanguíneas mononucleares periféricas.
            Foram realizados experimentos para ser tirada a prova dos quinze com mulheres em estágio de pré-menopausa, que poderiam ser mães biológicas de crianças saudáveis (grupo controle) ou com doenças crônicas (para efeito da pesquisa, chamadas de “mães cuidadoras”). As mães dessas últimas eram previstas como sendo mais expostas ao stress. No entanto, para observar melhor os efeitos do encurtamento dos telômeros sobre o envelhecimento, as análises foram feitas acompanhadas por um controle das idades das mulheres.
            Em suma, os pesquisadores obtiveram alguns resultados esperados: a média do nível de stress apresentados pelas “mães cuidadoras” foram altos se comparados aos do grupo controle. O comprimento dos telômeros, a atividade da telomerase e a taxa de stress oxidativo não apresentaram variação significativa de um grupo para o outro. No entanto, a duração do stress crônico apresentou certa discrepância de um grupo para o outro. Sendo assim, os pesquisadores concluíram que a duração de submissão ao stress está mais relacionada ao encurtamento dos telômeros do que simplesmente estar submetido a condições estressantes em si.

            Para maiores informações sobre o assunto e conferir o artigo na íntegra, acesse o site: http://www.pnas.org/content/101/49/17312.full.pdf

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