domingo, 15 de novembro de 2015

A vitória está a caminho?

                Por: Bianca Valente Strecht

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/img/fotomalaria250.jpg


Você sabia que a malária afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas e mata 1 milhão a cada ano, sendo esta taxa comparável aos índices de mortalidade causados pela AIDS? E que de acordo com as estimativas da OMS de 2015 já ocorreram 214 milhões de casos de malária e 438 mil mortes? Sendo que a principal região afetada pela doença é a população da África Subsaariana, onde em 2015 ocorreram 89% dos novos casos de malária e 91% das mortes causadas pela doença.
Devido ao alto impacto sobre a saúde da população da zona Equatorial, principalmente da África Subsaariana, nas décadas de 1960 a 1970 houve uma grande operação internacional com o intuito de erradicar a malária. Neste período foi intensamente utilizado a cloroquina, medicamento antimalárico, para combater o protozoário responsável pela doença. A operação, contudo, fracassou devido à distribuição desenfreada do medicamento, o que resultou no surgimento de Plasmodium resistentes a essa droga, principalmente o P. falciparum, gerando grande necessidade de desenvolvimento de novos antimaláricos.
A descoberta do agente ativo Artemisa annua, a Artemisina, trouxe grande avanço no combate contra a malária, uma vez que Qinghaosu, nome chinês da Artemisina, é mais eficaz que os outros métodos antimaláricos para diversos tipos de malária, com ação rápida e segura, além de ser fatal para o parasita, uma vez que atua sobre a atividade mitocondrial, responsável pela síntese de energia.
Este princípio ativo, substância que tem ação no organismo, foi descoberto em 1971, com  base em análise científica de natureza antimalárica, descoberta através do estudo sobre métodos da medicina chinesa tradicional feito pela pesquisadora Tu YouYou, ganhadora do prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina e responsável pela pesquisa. Ele foi isolado através de um método de extração em temperaturas baixas e com isso foi produzido capsulas contendo artemisina pura que, ao ser utilizado por humanos, apresentou alta eficácia no tratamento de pessoas com malária.
Durante a avaliação dos compostos da artemisina, foi descoberto que um deles era mais estável e muito mais efetivo que a própria artemisina, a diidroartemisina. Com seu uso diminuíram as chances de recorrência da doença, assim como o controle da febre, que é o principal sintoma desta doença, empregando uma baixa concentração do composto, cerca de 360 mg, enquanto de artemisina seria cerca de 1.500 mg.
Por fim, sua distribuição é feita na forma de comprimido e supositório (conveniente para crianças ou pacientes em coma ou vômitos), ampliando o espectro de pacientes que poderão usufruir deste método contra a malária.

Para complementar a leitura busque:
Tu Y.Y. THE DEVELOPMENT OF THE ANTIMALARIAL DRUGS WITH NEW TYPE OF CHEMICAL STRUCTURE - QINGHAOSU AND DIHYDROQINGHAOSU http://www.tm.mahidol.ac.th/seameo/2004_35_2/02-3334.pdf
Tu Y.Y.THE DISCOVERY OF ARTEMISININ (QINGHAOSU) AND GIFTS FROM CHINESE MEDICINE
http://www.nature.com/focus/Lasker/2011/pdf/Lasker2011-Tu.pdf



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